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A crise na visão dos bancos - Como a crise internacional afeta o mercado brasileiro - Entrevista com Alexandre Romeiro, gerente do Banco Safra - 16/10/2008 12:18:09

Toda a mídia, principalmente a especializada em mercado automobilístico, está voltada para a crise que se instalou mundialmente, e tem feito taxas de juros em financiamentos se alterarem e créditos diminuírem. O gerente do Banco Safra Alexandre Romeiro explica um pouco sobre como se deu essa crise e qual é a influência dela para o mercado brasileiro.

Portal Frotista: Como a crise das bolsas de valores internacionais está influenciando o mercado brasileiro?

Alexandre: Com toda a crise no mercado internacional que estamos acompanhando nos noticiários podemos ter uma noção prévia: bolsas em baixa significam menos investimento, que significa menos dinheiro, que acaba acarretando uma diminuição nos créditos. Os bancos estão cada vez mais criteriosos, diminuindo prazos e aumentando o percentual de entrada e as taxas. Estávamos trabalhando com prazos muito longos e operações praticamente sem entrada, que aumentava o risco.

Portal Frotista: E qual é o nível dessa mudança no Brasil?

Alexandre: Exatamente por conta dessa instabilidade as mudanças no Brasil estão intensas, pois com o dólar em alta e as bolsas em queda os bancos não conseguem se programar para cobrar juros corretos, então acontece uma diminuição do crédito. Apesar disso, temos uma vantagem em relação ao mercado internacional, pois os EUA, por exemplo, estão em uma recessão tremenda, e para normalizar a economia a previsão é de muito tempo. No Brasil temos alta no mercado da construção civil, automobilística, exportações, agrícolas... É só uma fase, que aos poucos vamos nos ajustar. Mas de um lado foi importante essa crise, para que os bancos já se posicionassem de uma forma mais coerente na liberação do crédito, para não acontecer o que aconteceu lá fora.

Portal Frotista: Qual foi o motivo de estouro da crise?

Alexandre: A alta de crédito. Com a liberação de muito crédito na praça houve um endividamento muito grande da população. Nos EUA estava muito fácil fazer qualquer tipo de financiamento. Era muito simples comprar um imóvel, por exemplo. Isso fez com que o endividamento da população ficasse alto demais, e a inadimplência também crescesse. Dessa forma, a carteira podre dos bancos acabou ocasionando o que estamos vendo. Durante muito tempo os bancos maquiaram esses números, e quando estourou foi de uma vez, formando uma cadeia que atingiu até mesmo as seguradoras, que também detinha seguros dos imóveis e teve alta nas indenizações.

Portal Frotista: Qual é o risco real que corremos no Brasil? Existe a possibilidade de perdermos trabalhadores na indústria automobilística com o fechamento de fábricas?

Alexandre: Não, acredito que não. Hoje as indústrias exportam muito, mas acredito que vai haver férias coletivas em muitas das fábricas brasileiras. É um problema momentâneo.

Portal Frotista: Quais são as medidas que os bancos estão tomando para contornar a crise e evitar que ela acarrete mais problemas ao Brasil?

Alexandre: Estamos controlando mais o crédito, com taxas um pouco maiores, prazos mais curtos e entradas de pelo menos 40%, para não termos endividamento em longo prazo. Por exemplo, uma pessoa que compra um carro de R$ 20.000 e financia R$ 19.000 em 60 vezes de R$ 500 com R$ 1000 de entrada tem um saldo devedor de 30.000. Se a família adoece ou perde o emprego o consumidor já se complica, pois a dívida é maior do que o valor do carro. Assim, mesmo que o banco retome o veículo e o leiloe, ainda fica um residual para o cliente, que fica sem o carro, com dívida e sem a entrada que já deu.


Portal Frotista: E essas medidas não estão diminuindo as vendas?

Alexandre: Está diminuindo sim. Para os veículos 0 km a sensação é menor, mas as revendas multimarcas estão sendo afetadas diretamente, com uma queda de 30% a 40%, aproximadamente.

Portal Frotista: E qual é a previsão para os próximos meses? A crise será contornada?

Alexandre: Ainda não temos um prazo exato para fim da crise, mas acreditamos que em um ou dois meses já teremos uma melhora. Assim que as bolsas subirem e o dólar se estabilizar, mesmo que seja no patamar de R$2,10 ou R$2,20, os bancos já podem voltar a trabalhar normalmente nas liberações de crédito, com taxas maiores, mas com créditos em alta novamente.

Portal Frotista: Uma vez que a procura diminui, existe a possibilidade dos preços diminuírem para o consumidor?

Alexandre: Acredito que não, pois a perda está muito alta em todos os setores, e os consumidores já sabem disso. Acredito que alguns modelos que estão com a produção em alta devem ter algumas promoções, mas nos usados acho difícil, pois foram comprados por um valor determinado, e não podem ter baixas nos preços.

Alexandre Romeiro, gerente do Banco Safra, explica o contexto e as atitudes dos bancos.


Toda a mídia, principalmente a especializada em mercado automobilístico, está voltada para a crise que se instalou mundialmente, e tem feito taxas de juros em financiamentos se alterarem e créditos diminuírem. As bolsas em baixa significam menos investimento e menos dinheiro, deixando os bancos mais criteriosos, diminuindo prazos e aumentando o percentual de entrada e as taxas. O fato é que com a liberação de muito crédito na praça houve um endividamento muito grande da população, aumentando também a inadimplência, principalmente nos EUA.

De acordo com o gerente do Banco Safra Alexandre Romeiro, tal instabilidade acarreta mudanças intensas no Brasil. “Com o dólar em alta e as bolsas em queda os bancos não conseguem se programar para cobrar juros corretos, então acontece uma diminuição do crédito”, considera.

Apesar disso, Alexandre afirma que temos vantagem em relação ao mercado internacional. “Os EUA, por exemplo, estão em uma recessão tremenda, e para normalizar a economia a previsão é de muito tempo. No Brasil temos alta no mercado da construção civil, automobilística, exportações, agrícolas... É só uma fase, que aos poucos vamos nos ajustar”, acredita o gerente.

Alexandre também ressalta a importância da crise para que os bancos se posicionassem de uma forma mais coerente na liberação do crédito e evitassem que acontecesse aqui o que aconteceu no exterior. Além disso, hoje no Brasil as indústrias exportam muito, e as empresas não devem fechar muitas fábricas e dispensar trabalhadores. O que pode acontecer, segundo o gerente do Banco Safra, são férias coletivas em muitas delas, mas é um problema momentâneo.

Para contornar o problema, os bancos estão controlando mais o crédito, com taxas um pouco maiores, prazos mais curtos e entradas de pelo menos 40%, para não ocorrer endividamentos em longo prazo. Tais medidas têm diminuído em cerca de 30% a 40% as revendas multimarcas. Alexandre não enxerga um prazo exato para o fim da crise, mas acredita que em um dois meses já aconteça uma melhora. “Assim que as bolsas subirem e o dólar se estabilizar, mesmo que seja no patamar de R$2,10 ou R$2,20, os bancos já podem voltar a trabalhar normalmente nas liberações de crédito, com taxas maiores, mas com créditos em alta novamente”, acredita.

Agradecimentos:

Márcio Macedo
Banco Safra
Chriarte Editora

Reportagem por: Carol Almeida Jornalismo Chriarte-7 Editora

 
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